Eu estava decidida a não comentar o caso da garota da Uniban, mas a situação tomou uma proporção tão inaceitável que ninguém pode se calar. A vergonha já está internacional.
Li declarações de preconceito explícito, de um machismo que pensava não existir mais e que me chocou.
As declarações abaixo estão todas no Estadão:
No intervalo das aulas, um "verdadeiro coral ridículo de gritos de puta" a acompanhou até que deixasse o prédio.
Alguns gritavam: 'tira ela do cativeiro'"
"Mulheres colocavam celulares na minha cara, corriam atrás de mim, para filmar meu rosto chorando".
"Vi alguns dizendo que eu mereci. Quando passei pela sala dos professores também vi dedos apontados para mim, funcionários da limpeza me xingando. Não foram só os alunos."
"Vão achar que somos iguais a ela"
No país do fio-dental, da pornochanchada e do carnaval do tapa-sexo uma horda de bárbaros ataca a moça por usar minissaia. Chega a ser surreal, inacreditável. Não houve apedrejamento por falta de pedras disponíveis no momento.
Dizer que a moça mereceu por estar em trajes inadequados beira o ridículo. É culpar a vítima pela violência sofrida. É a conversa do estuprador, que sempre alega que a vítima buscou a violência. Mas do que falamos afinal? De violadores grupais, por certo.
Não há muita diferença entre quem violenta fisicamente e psicologicamente.
Mais que isso, ambas as coisas costumam estar interligadas.
São esses os "profissionais" que estamos formando. E há gente que ainda acredita que o Brasil tem solução. Depois que a instituição formalizou o apoio à barbárie, ficando ao lado dos agressores e expulsando a aluna, eu não duvido de mais nada nesse país.
Alega o reitor que a moça feriu os valores morais da instituição...os outros "alunos" sequer foram mencionados. Feriram a dignidade humana, mas isso pouco importa nesse país, onde os mortos são somente números.
Brasil, mostra tua cara!
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
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5 comentários:
Reputo culpa maior a própria Universidade que não estabelceu normas para a freqüência a as aulas. Alem disso ir para uma aula com roupas provocantes,sensuais, não é conveniente. Claro que isto não justifica a agresãao sofrida pela moça, mas também não se justifica ela se vestir do jeito que se quer sem respeito pro si mesma e pelos outros e pelos ambientes. Há ainda o agravante de que a referida aluna percorreu um caminha longo e subiu a uma rampa para chegar a sala de aula, sem necessidade. E comentam agora que ela foi convidada para a nova versão do programa a Fazenda. Será que a mesma não queria publicidade? Se queria e se confirmar o convite, veremos que havia outras intenções da parte dela.A direção da Universidade deveria te-la advertido antes dela entrar na sala e teria se evitado toda agressão.
Essa história me parece mais complicada do que problema de machismo bárbaro.
Ninguém envolvido parecia ser uma pessoa zelosa pela moral&costumes. As pessoas não estavam indignadas. Estavam fazendo farra. Duvido muito que aqueles caras não babam ao verem mulher de roupa curta. O vestido da garota serviu como *pretexto*. Como um amigo meu me disse, é bem possível que já tenha havido alguma treta envolvendo a garota e o pessoal da faculdade. Mas enfim, o pessoal adora farra. Vou dar um exemplo. Quando eu ainda estava no 2ºgrau, tinha um menino que era gay. Muito gay. Uma vez acharam o diário dele. Aí todo mundo passou a sacaneá-lo sem dó. Mas veja, ninguém se sentia incomodado com a presença do carinha na escola. As pessoas não se sentiam indignadas porque o menino era gay. Ninguém quis mesmo expulsá-lo. As pessoas o sacaneavam por pura farra. Fariam (e faziam) a mesma coisa com quem fosse (e era) narigudo, gordo, burro...
A questão não é apenas ver a turba caçando o bode expiatório da vez. É ver como os componentes da turba sequer imaginam terem praticado um mal. Partem da presunção da própria inocência e da culpabilidade total da moça. Isso é que choca. Mas é assim que toda turba age e pensa...
Tenho certeza que não contribui em nada defender alguém sem conhecimento de causa. Foi isso que a mídia fez e que vejo aqui neste blog também.
Segundo depoimento dos que prsenciaram o ocorrido, a moça em questão não só usou minisaia, a mini saia é frequente na unibam, inclusive roupas curtas e apertadas, estando lá um campus de educação física. A roupa curta e apertada(shorts) até faz parte do uniforme.
No entanto ela estava com a roupa curta demais, além do que os Jovens de hoje (que não são nenhum pouco intolerantes) conseguiram suportar, e ao ser criticada ela levantou a sai e mostrou o que não deveria dentro de um campus de faculdade.
Portanto, defendela é dar credito ao que ela fez. certamente houve exagero por parte dos alunos, mas nem todos na multidão estavam desaprovando-a. inclusive muitos gritavam GOSTOSA.
Acho que o que houve foi um linchamento moral, mas geralmente os que são linchados tiveram real culpa.
As partes precisam ser apuradas. o que não pode haver é essa nossa tendencia cultural de defender a minoria a qualquer custo, dando descrédito total a outra parte somente porque estão em maior número.
Ela errou sim, os alunos também, quem errou menos foi a unibam. Agora os Marxistas loucos do PSTU e companhia vão lá difamar o nome da faculdade por punir o ato obsceno de uma aluna. onde vamos parar. qualquer um que queira garantir o respeito moral é retrograda e reacionário.
Leonardo, não sei se ela realmente fez o ato obsceno. Depois do acontecido surgiram várias versões da história. Se ela fez, com certeza está errada e acho que ninguém apoiaria. Porém, ainda assim, não justifica o que aconteceu. Deve existir algum lugar na faculdade onde se possa reclamar de um ato obsceno, que ninguém é obrigado a presenciar.
Ela poderia ter sido expulsa, em caso de ato obsceno, sem que nada disso tivesse acontecido.
Tanja, você disse algo que chegou a me ocorrer. Quem eram os que xingavam a moça? Provavelmente os pitboys, os que abusam de drogas,os irresponsáveis, etc, sem moral alguma para agir como agiram.
Presumir a própria inocência e apedrejar o próximo em turba só mostra que nossa sociedade está pervertida em último grau. Alguma semelhança com os processos políticos que costumamos assistir passivamente?
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